Origem da expressão “dar de mão beijada”

Com origem na Idade Média, a expressão “dar de mão beijada” é usada para representar o ato de dar algo sem esperar nada em troca, de forma gratuita e espontânea. Naquela época, era muito comum que os fiéis ricos dessem à Igreja presentes generosos, como enormes palácios e terras.

Em retorno, o privilégio exclusivo de beijar as mãos do papa era dado à esse fiéis. Uma outra alusão é que ação de beijar as mãos também representava um sinal de respeito na relação entre reis e seus súditos ou entre o vassalo e o senhor feudal. A expressão acabou se popularizando a partir daí.

Origem da expressão “custar os olhos da cara”

Uma das hipóteses para o surgimento da expressão “custar os olhos da cara”, que é usada para indicar algo que custou muito dinheiro, vem do conquistador espanhol Diego de Almagro, que, durante certo conflito em uma fortaleza inca, acabou perdendo um de seus olhos. O espanhol teria soltado a frase “Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara” diante do imperador Carlos I após retornar à sua pátria.

Outra teoria é que a expressão tenha surgido a partir do costume que os povos da Antiguidade tinham de arrancar os olhos de seus prisioneiros de guerra. Inclusive, esse ato foi citado em uma das peças do escritor romano Plauto (254-184 a.C.).

Origem da expressão “chato de galochas”

Não se sabe ao certo, mas a hipótese é de que a expressão “chato de galochas” tenha surgido na década de 1950, a partir de um costume de que os homens tinham de usar galochas de borracha por cima dos sapatos em dias de chuva para não sujá-los.

Por isso, é possível que o termo popular possa ter aparecido quando uma pessoa entrava em casa sem tirar as galochas, sujando de lama e barro o chão, sendo assim o chato de galochas”.

Origem da expressão “santo do pau oco”

Usada para designar pessoas dissimuladas, fingidas ou hipócritas, a expressão “santo do pau oco” pode ter surgido na época do Brasil Colônia. Por volta do século XVIII, altos impostos eram cobrados sobre o ouro produzido em terras brasileiras por Portugal.

Por isso, esconder o outro em pó e outras pedras preciosas dentro de santos esculpidos em madeira oca, era a alternativa que as pessoas encontraram para driblar a fiscalização da Coroa.

Como a taxação de Portugal era excessiva, chegando a cobrar um quinto de todo o ouro produzido, tal tipo de contrabando era muito comum entre governadores, clérigos e escravos. A Revolta de Felipe Santos, por exemplo, foi motivada por esses altos impostos.

Origem da expressão “vestir a carapuça”

A expressão “vestir a carapuça” é usada para representar o ato de assumir uma culpa, que é uma analogia direta ao objeto colocado sobre as cabeças dos “hereges” durante a Inquisição.

A Inquisição foi uma espécie de tribunal eclesiástico criado pela Igreja Católica durante a Idade Média, onde os hereges eram julgados e punidos. Então, uma túnica com formato de poncho e um chapéu longo e pontiagudo, uma carapuça, era colocado sobre a cabeça daqueles que se apresentavam perante o tribunal.

Origem da expressão “rasgar seda”

Surgida por meio de uma curiosa cena contida na peça de teatro do dramaturgo carioca Luís Carlos Martins Pena, a expressão “rasgar seda”, geralmente, é usada quando uma pessoa é elogiada exaustivamente por outra.

O espetáculo contava a história que um vendedor de tecidos, de seda mais precisamente, que se aproveitava de sua profissão para cortejar uma bela moça, passando a elogiar de forma exagerada sua aparência e forma.

Mas em um certo ponto, a intenção do rapaz era percebida pela mulher, que dizia: “Não rasgue a seda, que se esfiapa”, deixando claro que, se aquilo continuasse, seu interesse pelo rapaz iria acabar, demonstrando sua impaciência perante toda aquela bajulação. Foi a partir de tal cena que o termo virou parte do cotidiano das pessoas.

Origem da expressão “dor de cotovelo”

A origem da expressão “dor de cotovelo” surgiu de forma natural, evoluindo para o significado que conhecemos hoje, que se refere o sofrimento decorrente de uma decepção ou desilusão amorosa. A teoria comum é que o termo veio da imagem de uma pessoa no bar bebendo e se lamentando da má sorte no amor, com os cotovelos apoiados no balcão. De tanto ficar com eles nessa posição, os cotovelos começariam a doer.

Além desse significado, a expressão também se refere ao sentimento de inveja ou ciúme. A suposição é que essa versão tenha surgido a partir do ato de dar leves cotoveladas em alguém a fim de reprimí-la ou censurá-la. A conclusão é que, quem estiver criticando demais alguém (daria tantas cotoveladas que o mesmo doía), nutria algum tipo de inveja de certa forma.

Origem da expressão “de mãos abanando”

O Brasil passou por mudanças socioeconômicas significativas durante o Ciclo do Café. Fugidos da estagnação econômica e do desemprego registrado no velho continente, um grande número de imigrantes europeus foram atraídos pelo trabalho assalariado dos cafeicultores paulistas e pelo uso de novas tecnologias.

Era bastante comum que os imigrantes trouxessem suas próprias facas, foices e outras ferramentas consigo ao chegar no Brasil. Isso era visto como uma forma de demonstrar disposição para o trabalho e como um símbolo de sua profissão. Assim, o imigrante que chegava “de mãos abanando” passava a imagem de que não tinha interesse em trabalhar, era visto como preguiçoso. A expressão usada hoje surgiu a partir daí, usada para representar alguém que aparece sem nada nas mãos, mas que deveria ter algo consigo.

Origem da expressão “dar com os burros n’água”

Acredita-se que foi na época do Brasil Colonial, onde os burros e mulas representavam os principais meios de locomoção e transporte por aqui, que a expressão “dar com os burros n’água” surgiu. Era bem comum escoar por extensas distâncias sobre os lombos desses animais as produções de ouro, cacau e café.

Contudo, locais isolados e de difícil acesso eram percorridos pelos bandeirantes devido à busca desenfreada pelo ouro e pedras preciosas. Por causa disso, muitos burros passavam por regiões alagadas e acabavam se afogando, pela falta de infraestrutura das estradas.

Então, toda a mercadoria dos tropeiros que caía na água e se deteriorarava quando esses animais morriam. Foi a partir daí que essa expressão apareceu, fazendo uma alusão ao esforço dos bandeirantes em busca de riquezas, usada para quem faz muito esforço para conseguir algo e não consegue.

Origem da expressão “chorar as pitangas”

Foi a partir de um antigo vocábulo português, “chorar lágrimas de sangue”, que a expressão “chorar as pitangas” surgiu e é usada no Brasil para designar o ato de chorar, lamentar ou reclamar.

De origem indígena, a palavra “pitanga” significa vermelho, uma analogia feita pelos índios entre o sangue e a fruta, dando sentido à ideia existente por trás da expressão como ela é conhecida hoje, quando os olhos ficam vermelhos de tanto chorar.

Porém, essa não é a única tese que pode explicar a origem da expressão, embora seja a mais provável. Outra hipótese é que a expressão tenha outra analogia, a de alguém que chora demasiadamente, como criança, por a palavra “pitang”, da língua guarani, significa “menino”.