Sujeito é um termo essencial da oração, está presente na maioria delas, explícito ou não. Sua existência, porém, não é sempre obrigatória. É com o sujeito que o verbo ou locução verbal da oração se relaciona, seja ativa ou passivamente. A concordância do verbo depende da pessoa e número do sujeito, por exemplo: se ele estiver na segunda pessoa do singular, o verbo se flexiona (em pessoa e número) concordando com o sujeito. Vejamos os exemplos abaixo:

  • Daniel comeu muito.

É possível notar que o sujeito é “Daniel” pois é com ele que o verbo se relaciona. Como o sujeito não é nem quem fala, nem com quem se fala, fica claro que ele pertence à terceira pessoa. Daniel é apenas um, logo está no singular. O verbo “comer” também está flexionado na terceira pessoa do singular, criando assim uma concordância.

  • Nós comemos muito.

Tomamos a mesma frase do exemplo anterior, mas o sujeito agora é “nós”, que é um pronome pessoal da primeira pessoa no plural. O verbo continua nas mesmas flexões de tempo e modo, mas sofreu variação de número para acompanhar o sujeito, e agora está na primeira pessoa do plural.

  • Tu comeu muito.

Temos um exemplo de erro de concordância verbal. Podemos perceber o “tu” como sujeito, e já sabemos que este sujeito é um pronome pessoal de segunda pessoa no singular. “Comeu” é a flexão do verbo “comer” na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do modo indicativo. O verbo e o sujeito não concordam, o correto seria trocar o “tu” por “você”, que apesar de se referir àquele com quem se fala, é flexionado como terceira pessoa. Outra correção é mudar o verbo de “comeu” para “comeste”.

Tipos de sujeito

Nem todos sujeitos aparecem da mesma forma na estrutura da oração. Às vezes eles não são explícitos, outras vezes não se pode defini-los, e em outros casos simplesmente não existem. Os sujeitos podem ser classificados em:

Determinado simples

É o mais fácil de se perceber. O sujeito é classificado como simples quando o verbo se refere a algo ou alguém que está explícito no texto, e esse referencial possui apenas um núcleo, formado por um substantivo, pronome ou palavra substantivada. Vale lembrar que o número do pronome ou substantivo não interfere no tipo de sujeito, mas sim na sua concordância. É o núcleo único que o define como simples.

Exemplo: A polícia fez um bom serviço.

Determinado composto

É muito semelhante com o simples, também possui núcleos explícitos na oração formados por substantivo, pronome ou palavras substantivadas. A diferença é que o sujeito composto possui dois ou mais núcleos. Não importa se os núcleos estão no plural ou singular, a quantidade de núcleos é o que define o sujeito composto.

Exemplo: João e Maria fizeram um caminho de migalhas

Determinado oculto

Muitas vezes o sujeito não está explícito na oração, porém ele existe e é definido. O sujeito está “escondido”, mas é possível identificá-lo por conta da concordância verbal. O verbo ainda se relaciona com o sujeito, e por isso, mesmo ele estando fora da oração, a concordância entre sujeito e verbo precisa existir. Muitas vezes o contexto ajuda a descobrir o sujeito oculto.

Exemplos: Rastejei de dor – (Eu) Rastejei de dor.

Sujeito indeterminado

Às vezes não é possível descobrir quem é o sujeito da oração, apesar dele estar lá. O sujeito indeterminado é aquele que não se refere a ninguém nem nada especificamente, possui uma abrangência geral e não foi citado ou referenciado em nenhum momento.

Exemplos: Falam mal de você; Necessita-se de funcionários; Vive-se bem, lá; Normalmente se é honesto aqui.

Sujeito inexistente

Orações sem sujeito existem, mas são bem específicas. Há casos em que não se pode relacionar nenhum sujeito ao verbo, é o caso dos verbos que indicam um fenômeno natural meteorológico, verbos com sentidos de existência e verbos que indicam tempo.

Exemplos: Chove bastante; Há bastante gente no mundo; Faz frio no inverno.

OBS: Muitas vezes, advérbios podem assumir a função sintática de sujeito, como pode ser visto nos casos abaixo:

  • Amanhã será um bom dia – sujeito: “amanhã”, o dia de amanhã.
  • Lá já anoiteceu – sujeito: “lá”, naquele lugar.
  • Agora é a melhor hora – sujeito: “agora”, este momento.