Trovadorismo

O trovadorismo foi um movimento literário que corresponde à época da idade média, no período feudal. É considerado o primeiro movimento literário da língua portuguesa, mas o trovadorismo se espalhou por toda a Europa. As obras comuns a esse movimento literário são as trovas, mais conhecidas como cantigas, elas traziam temas tanto da burguesia como da vilania. Os autores e compositores de origem nobre eram chamados de “trovador”, já os que não tinham essa linhagem nobre eram conhecidos como Jogral.

A manifestação literária galaico-portuguesa do trovadorismo mais antiga registrada é por volta do ano 1200, e como é a mais antiga que se tem registro, foi considerada como o marco do início do movimento na região. A cantiga de João Soares de Paiva, um trovador português se chama “Ora faz host’o senhor de Navarra”. A origem geral do trovadorismo tem quatro teses: a de que a origem teria surgido do próprio povo; a de que a origem era latina; a de que o trovadorismo seria de origem árabe; e a tese de que seria originária da poesia litúrgico-cristã.

Tipos de cantiga

A cantiga era o tipo de manifestação literária do trovadorismo, uma poesia acompanhada de uma melodia, porém essas cantigas começaram a ser transcritas e arquivadas em Cancioneiros, que são livros que contem uma grande quantidade de trovas. Há também registros de cantigas registradas individualmente. Essa poesia cantada possuía classificações que levavam em conta o tema abordado por elas. Veja os tipos de cantigas do trovadorismo.

Cantiga de amor.

Eram as cantigas que tinham um eu-lírico masculino se direcionando para uma mulher idealizada e distante de sua realidade, também conhecido como vassalagem amorosa. O amor entre eles era impossível, permanecendo apenas nos sonhos do eu-lírico. O nível social diferente entre o cavalheiro e a dama eram também característica marcante, o eu-lírico estava sempre abaixo. As cantigas de amor se dividem em quatro tipos:

  • Cantiga de Meestria: Não tem refrão, estribilho e repetições.
  • Cantiga de Tense: Um dialogo com tom de desafio entre dois cavalheiros sobre uma mesma mulher
  • Cantiga de Pastorela: É o amor de plebeus por uma mulher plebeia.
  • Cantiga de Plang: É uma cantiga com muitos lamentos

EXEMPLO

Cantiga da Ribeirinha
Paio Soares de Taveirós

No mundo non me sei parelha,
entre me for como me vai,
Cá já moiro por vós, e – ai!
Mia senhor branca e vermelha.
Queredes que vos retraya
Quando vos eu vi em saya!
Mau dia me levantei,
Que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, desdaqueldi, ai!
Me foi a mi mui mal,
E vós, filha de don Paai
Moniz, e bem vos semelha
Dhaver eu por vós guarvaia,
Pois eu, mia senhor, dalfaia
Nunca de vós houve nem hei
Valia dua correa.

Cantiga de Amigo

A cantiga de amigo, por mais que parece ser entre amizade, também é aborda o amor, mas diferente da cantiga de amor, esta tem como o eu-lírico uma mulher que canta sobre o seu “amigo”, que na verdade era o nome usada para definir o namorado. Normalmente se passa em um ambiente natural ou em uma conversa com amigas ou a própria mãe. Eram escritas por homens devido à segmentação de gênero da época, e por isso ressaltavam muito a masculinidade, Um outro tema nas cantigas de amigo era a tristeza da mulher por seu namorado que foi à guerra. Nessa canção não há diferenças sociais, tanto a mulher quanto o “amigo” são do povo, ou seja, da plebe.

EXEMPLO

D. Dinis

Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado!
ai Deus, e u é?

Cantiga da escárnio

Essas cantigas tinham o objetivo de satirizar alguma pessoa, sempre de modo indireto com o uso de duplos sentidos e ironia. A pessoa que era satirizada pela cantiga, normalmente, não era nomeada, mas sua identificação era feita por alusões indiretas. O tom da cantiga era mais cômico, e era cheia de trocadilhos, jogos de significados, a linguagem usada era bem sutil.

EXEMPLO

João Garcia de Guilhade

Ai, dona fea, foste-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!…

Cantiga de Maldizer

O objetivo desta cantiga também é falar mal de alguma pessoa, mas ao contrário da cantiga de escárnio, esta é direta, sem nenhuma sutileza ou alusão. O eu-lírico atacava o alvo da cantiga com palavras forte e até de baixo calão, não era sempre que o nome da pessoa ofendida era revelado. A agressão define este tipo de cantiga, porém também há zombaria e uma linguagem culta em meio aos palavrões.

EXEMPLO

Pero Garcia Burgalês.

Roi queimado morreu con amor
Em seus cantares por Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque lhela non quis [o] benfazer
fez-sel en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!…

Principais autores e suas obras

  • Paio Soares Taveirós – de origem nobre galega, o trovador é o autor de ‘A Ribeirinha’, uma das cantigas de amor mais famosas e também considerada a primeira obra literária em língua galaico-portuguesa.
  • Dom Dinis – além de trovador, Dinis ostentava o pronome de tratamento ‘Dom’, ou seja, tratava-se de um rei. Sua obra é composta por 139 cantigas, a grande maioria de amor e com alto domínio técnico e lírico. Além de rei de Portugal, Dom Dinis é considerado um dos responsáveis pela renovação cultural da península ibérica.
  • João Garcia de Guilhade – trovador português autor de poemas célebres e satíricos, como ‘Ai Dona fea, fostes-vos queixar’. Apesar do reconhecimento de sua maestria e predisposição poética, muito de sua obra possui o caráter brejeiro.
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