Naturalismo

O naturalismo é um movimento literário que teve origem na Europa logo após o Realismo, muitos dizem que o naturalismo é uma extensão do movimento realista. Muitos escritores realistas são também naturalistas. Este movimento é parecido com o realismo, porém com as ideias mais radicais. Há também uma busca em retratar a realidade como ela realmente é, mas o naturalismo também traz as questões de influência do ambiente em que se está inserido e a linhagem hereditária. Segundo o naturalismo, seu comportamento é ditado pelo lugar a sua volta e pelo seu sangue.

O movimento surgiu não apenas com a literatura, as artes plasticas e o teatro também tiveram obras naturalistas. Seu surgimento foi na França, no século XIX. Muito dos seus conceitos também foram influenciados por avanços e descobertas da ciência, tão como a evolução das espécies desenvolvida por Charles Darwin.

Características

A escola naturalista tem algumas características bem marcantes. São essas:

  • Impessoalidade: O autor naturalista procurava não se envolver diretamente em suas obras, apenas descreve como observador. Isto causava o uso de narrador em terceira pessoa.
  • Linguagem simples: O naturalismo ainda trazia um enfrentamento ao romantismo, a linguagem simples e objetiva é fruto disso.
  • Engajamento: A literatura naturalista já abordava problemas sociais da época e também tentava trazer um pouco deste engajamento ao leitor.
  • Determinismo: O homem é um fruto dos fatores externos que o envolvem, tais como o ambiente e o momento vividos.
  • Darwinismo Social: Inspiradas nos estudos de Charles Darwin, a hereditariedade era um fator ao comportamento humano.
  • Cientificismo: O naturalismo tinha o objetivo de ser tratado como ciência, por isso as obras são descritivas e assemelham-se a um texto cientifico.

Naturalismo no Brasil

O naturalismo brasileiro começa a se desenvolver em 1880, muito influenciado por Émile Zola, escritor francês e idealizador do movimento. A primeira obra naturalista do Brasil foi “O mulato” de Aluísio de Azevedo, que também escreveu uma das obras que mais representa o movimento no Brasil: “O cortiço”. A literatura naturalista coloca em discussão assuntos que eram evitados, tais como homossexualismo, discriminação de classes e racial.

Outros autores naturalistas brasileiro que também foram importantes para o movimento são: Horácio de Carvalho, Júlio Ribeiro e Emília Bandeira de Melo.

EXEMPLO

Trecho de “O cortiço”
Aluísio de Azevedo

“Bertoleza representava agora ao lado de João Romão o papel tríplice de caixeiro, de criada e de amante. Mourejava a valer, mas de cara alegre; às quatro da madrugada estava já na faina de todos os dias, aviando o café para os fregueses e depois preparando o almoço para os trabalhadores de uma pedreira que havia para além de um grande capinzal aos fundos da venda. Varria a casa, cozinhava, vendia ao balcão na taverna, quando o amigo andava ocupado lá por fora; fazia a sua quitanda durante o dia no intervalo de outros serviços, e à noite passava-se para a porta da venda, e, defronte de um fogareiro de barro, fritava fígado e frigia sardinhas, que Romão ia pela manhã, em mangas de camisa, de tamancos e sem meias, comprar à praia do Peixe. E o demônio da mulher ainda encontrava tempo para lavar e consertar, além da sua, a roupa do seu homem, que esta, valha a verdade, não era tanta.”

Principais autores e suas obras

  • Raul Pompéia – contista, cronista e romancista carioca, Pompéia foi um dos principais nomes do período naturalista brasileiro. Sua principal obra, ‘O Ateneu’, critica a sociedade do final do século XIX.
  • Aluísio de Azevedo – sua obra é considerada irregular por muitos pesquisadores e críticos literários, uma vez que sua produção oscila entre o romantismo, realismo e naturalismo. Neste último movimento, Azevedo é considerado o precursor.
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